Fritas?

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Olá,

Quando eu comecei a praticar o meu Modo de Vida Criativo (e, na época, essa expressão ainda nem passava pela minha cabeça. Ali, pra mim, criatividade ainda era algo associado às artes, aos gênios criativos, não um caminho para o Autoconhecimento, na busca por um Sentido), uma das primeiras coisas que chamou a minha atenção foi o tanto de coisas que eu fazia “só por fazer”.

Coisas que eu fazia por que achava que tinha de fazer. Coisas que eu fazia por que alguém me dissera que eu deveria fazer. Coisas que eu fazia, simplesmente, por não ter parado e me perguntado o porquê de estar fazer aquilo…

E, claro, hoje eu não estou imune a isso (longe, muito longe disso). Vira e mexe eu me pego fazendo algo “só pra tirar logo da frente”. Ou porque “não custa nada” (sempre, sempre custa). Ou porque “outros fizeram e eu não quero ser o cara que não fez, certo?”

… É, de vez em quando, eu ainda faço muito isso. Acredito que todos fazemos.

Porém, desde que eu comecei a trilhar o meu caminho; desde que eu comecei a me preocupar mais em ser criativo, em ser autêntico (e não um mero seguidor, alguém que vai para onde todo mundo está indo), consegui diminuir bastante esses “desvios de rota”.

Agora, sempre que eu me pego fazendo algo “só por fazer”, sempre que eu me vejo fazendo algo “correndo”, eu paro e me pergunto: por que eu estou fazendo isso? Será que eu preciso realmente fazer isso? Se sim, será que só dá pra fazer desse jeito ou terá uma maneira mais interessante, mais divertida, mais criativa de fazê-lo?

… Enfim, sempre que me pego “fazendo só por fazer”, eu paro de fazer aquilo e me dou um tempo de descanso (o que não quer dizer, necessariamente, “ficar parado”). Eu me afasto daquele problema e tento enxergar outra forma de resolvê-lo (se é que eu estou mesmo resolvendo algum problema/alguma questão que deveria ser resolvida).

Ou, se eu estiver diante de um prazo apertado, eu, pelo menos, busco alguma forma mais divertida, mais inusitada, exótica, peculiar, louca, insana (coloque aqui o adjetivo que quiser: a criatividade está junto das infinitas possibilidades!) de fazer aquilo.

… Como? 

Poxa, sei lá – se tivesse uma fórmula certa pra isso já não seria algo divertido, espontâneo, louco, seria algo padronizado, automático, mecânico.

 

Não existem Fórmulas Prontas

Pra mim, a graça de usar a criatividade e as artes como um caminho para o autoconhecimento é estarmos cientes de que, justamente, não existem fórmulas prontas (eu sei que eu já disse isso, mas não custa nada repetir – pra você ver como não existem verdades absolutas. Afinal, ou eu falei o “certo” aqui, ou lá em cima, quando disse que “sempre, sempre custa”. Ou, talvez, não existam “certos e errados” mesmo. Enfim, escolhe aí a opção que achar melhor, ou todas, ou nenhuma…). E que nós podemos brincar com tudo – basta lembrar-se disso…

Por que, eu me pergunto, qual é a graça de viver uma vida em que fico empurrando as coisas com a barriga, resolvendo os problemas só por resolver?

… Qual o sentido de viver uma vida assim, dessa forma, sempre correndo, sempre se livrando das coisas?

Não, poxa, eu quero viver uma vida com sentido (geração Y?)! Eu quero aproveitar os momentos, as experiências, ao máximo (é piegas, é utópico, é idealista, é sonhador, é bobo, mas é a melhor forma que eu encontrei de viver a minha vida).

O Piloto Automático é muito bacana para poupar energia, para libertar a mente quando estamos fazendo tarefas rotineiras (e assim poder “viajar” por aí – embora, mesmo nessas horas, uma pessoa criativa possa encontrar algum jeito de inovar, de aproveitar aquela situação cotidiana em prol da sua criatividade). Mas, seja como for, não é bacana ficar sempre com o Piloto Automático ligado (vivendo em modo “stand by”).

Você já reparou, por exemplo, como temos respostas prontas para muitas coisas? Como (quase) sempre temos uma opinião engatilhada para tudo? Como gastamos tempo com formalidades, futilidades (que muitas vezes nos desviam, ainda que só alguns centímetros, da nossa vontade, da nossa atividade)?

… “Oi, tudo bem?” – “Tudo e você?”.
… Aplaudir de pé uma peça que não gostamos (e vai não levantar pra ver o como os outros te olharão).
… Curtir isso, curtir aquilo, fazer média, engolir sapos etc. etc. etc.

(Aliás, em tempo: eu não estou dizendo tudo isso para, logo em seguida, revelar qual é a minha resposta criativa, que há de solucionar todos esses problemas – isso seria uma fórmula pronta, mágica, não?… A questão é que eu estou sempre em busca dessa resposta também! E, no pouco que eu já consegui entender dessa minha jornada fabulosa pela vida, me parece que a resposta está em justamente continuar sempre buscando, nunca em achar que achei)

 

Qual é o seu Restaurante?

Para facilitar: pense que a vida é um restaurante. Qual seria, então, o seu restaurante? Como ele seria? Quem entraria nele? Que tipo de comida seria servida ali?

… Eu não sei você, mas, antes, a minha era um restaurante fast-food, com certeza.

Agora, contudo, sempre que estou andando pela estrada afora, bem sozinho, levando doces para a vovozinha, e me perguntam fritas acompanham, senhor?, eu respondo: não, mais sentido, por favor! (e, se pra você isso não fez o menor sentido, encare isto como “fritas”, sim?)…

E não por acaso os três componentes básicos da criatividade são: diversão, desprendimento e desafio!

Se você estiver levando a sua vida no Piloto Automático, pare e pense nas “armas criativas” para mudar o curso da sua jornada.

… Divirta-se mais (tudo pode ser uma diversão, para aquele que souber enxergar nos problemas, nas experiências, um mar de oportunidades). Divertir-se mais não é algo onírico, utópico: é uma questão, sim, de conscientização, de posicionamento (como você pensa, como você sente o mundo à sua volta? Você está sempre procurando “sarna para se coçar” ou está buscando “formas de se aprimorar”, de como aproveitar mais tudo?)

… Seja autêntico (não siga a manada, só por seguir. Quando estiver todo mundo indo para o mesmo lado, pare e olhe em volta. Procure uma árvore e suba nela. Busque ver para onde eles vão e de onde vem. Veja o que há no entorno. Busque enxergar as coisas por outras perspectivas. Enxergue, por exemplo, nas histórias que te contam, metáforassímbolos, não verdades absolutas).

… Desafie-se (não se lamente pelos problemas que surgem: agradeça por eles te colocarem em movimento, evitando que fique sempre na mesma, na Zona de Conforto, em estado de paralisia, agindo no Piloto Automático. Sem desafio, você não cresce, não melhora, não vai além).

Eu falo tudo isso porque, sinceramente, a criatividade me ajudou a encontrar mais sentido nesta jornada pela vida.

… E eu espero que ela ajude você a dar cada vez mais sentido para a sua própria!

=)

Ah, em tempo: quando a vida estiver difícil e tudo o que conseguir pensar é “não dava pra ser mais fácil?”, a fórmula mágica que eu recomendo é se perguntar “FRITAS ACOMPANHAM?

Ah, em tempo (2): uma citação que achei válida: “Um herói, do ponto de vista mitológico, é um ser híbrido, um semideus: meio humano, meio deus. Do ponto de vista psicológico, um herói é uma figura arquetípica que reúne em si os atributos necessários para superar de forma excepcional um determinado problema de dimensão épica. Heróis não são pessoas comuns e nós não nos identificamos com eles, pelo contrário: projetamos neles nossos ideais, nossos desejos de superação e nossas esperanças. Os heróis estendem-se como uma ponte entre o mundo real, mutável, fadado à degradação e à morte e o mundo ideal, pleno e eterno”. Bernardo de Gregorio

Ah, em tempo (3): busque ser o seu próprio herói (não é fácil, mas, por que não? O que te impede de buscar isso?)…

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