Criadores do Agora

Criadores do Agora

 

Sabe qual é uma das coisas que me dá mais prazer na vida? Estudar. Sim, você leu certo: eu disse estudar. Eu sei que isso pode soar estranho, principalmente em uma sociedade como a nossa, em que a grande maioria das escolas, faculdades e cursos empregam currículos rígidos, praticamente talhados em pedras (ou grades). Somos ensinados, desde cedo, que existem alguns conteúdos obrigatórios, que todo mundo deveria saber – nem que seja só para passarmos nas provas e vestibulares da vida.

Assim, a gente se acostuma à necessidade de ler aquelas trocentas obras para a fuvest – livros que quase ninguém lê (à exceção de um ou outro resumo), porque eles parecem chatos demais. A gente tem que decorar o que são plantas briófitas e pteridófitas. A gente é obrigado a tentar entender como extrair fórmulas mirabolantes a partir de um conjunto de polias. Porque antes a gente já aprendeu a tabuada. A gente já decorou aquelas datas históricas, daquelas pessoas que viveram há muitos anos, lá na europa. Já sabemos de cor e salteado quais são as capitais de cada linha imaginária demarcada em um mapa.

Bom, se isso; só isso, fosse estudar, então eu passaria bem longe de qualquer livro ou de qualquer outra forma de obter um novo conhecimento. Porque eu nunca gostei de decoreba. Eu nunca gostei de ter que fazer provinhas para comprovar que assimilei algo. Nada disso nunca fez muito sentido para mim. Eu poderia até tirar boas notas, mas sempre naquele esquema de apreender o máximo em um semestre (ou uma noite antes, no caso de física e suas famigeradas polias) e descartar logo em seguida, no semestre seguinte.

Isso não é estudar. Pelo menos, não é o que eu chamo de estudar, aqui. Para mim, estudar é me abrir para o mistério. É me aventurar por terras distantes, munido de toda curiosidade que consigo reunir. Estudar não é competir pelas melhores notas: é acessar fontes de conhecimento, Santos Graais que me permitam ser melhor do que eu era ontem. Melhor e, por vezes, mais confuso… Sim, porque estudar é deixar tudo mais complexo no meu interior, gerando, em alguns momentos, bagunças assustadoras.

Só que é estudando, também, que eu aprendo que o medo surge do contato com o desconhecido. E é estudando que eu aprendo a botar ordem na casa, de novo. E a semear um pouco de caos, logo depois. É estudando que eu aprendo a criar novas lógicas e sentidos – ao mesmo tempo em que ganho o poder para subvertê-los e reinventá-los. Estudar é me tornar mais flexível, mais resiliente. É afiar o machado, ao invés de sair querendo derrubar todas as barreiras só com a força bruta.

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